Chuva sinfônica

6 10 2009

Sob gostas e música

Danço!

Meu reflexo em azulejos antigos

Minha silhueta saltitante

Danço!

Bailo a música boa da felicidade…

Invadindo-me pouco a pouco… delicadamente

Penetrando minha pele

Misturando-se à minha essência…

A música…

A água.

Por Luênia Lua





A Song for You

2 10 2009

Aqui, muito bem interpredada por Roderick Dixon de Three Mo’ Tenors.

“A Song for You“, é uma canção de 1970 escrita e executada originalmente pelo cantor de rock Leon Russell. Christina Aguilera colaborou com o jazzista Herbie Hancock em uma cover da música gravada para o álbum Possibilities, lançado em Agosto de 2005. Aguilera e Hancock foram nomeados depois no Grammy Awards para “Best Pop Collaboration with Vocals”.

A song for you

I’ve been so many places in my life and time
I’ve sung a lot of songs, I’ve made some bad rhyme
I’ve acted out my life in stages
With ten thousand people watching
But we’re alone now and I’m singin’ this song for you

I know your image of me is what I hope to be
I’ve treated you unkindly but darling can’t you see
There’s no one more important to me
Darling can’t you please see through me
‘Cause we’re alone now and I’m singin’ my song for you

You taught me precious secrets of the truth, with holdin’ nothin’
You came out in front and I was hiding oh yeah
But now I’m so much better so if my words don’t come together
Listen to the melody ’cause my love’s in there hiding

ooh yeah yeah yeah yeah ohh

I love you in a place where there’s no space or time
I love you for my life, ’cause you’re a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together, together
We were alone and I was singin’ my song for you

Oh I, oh I love you in a place where there’s no space or time
I’ve loved you, I’ve loved you, loved you for my life, oh, you’re a friend of mine
And when my life is over, remember when we were together baby
We were alone and I was singin’ my song for you, ooh
We were alone and I was singin’ this song for you
Say, we were alone and I was singin’ my song,
Hey, Singin’ my song, singin’ my song, singin’ my song
Singin’ my song





Volúpia

28 09 2009

Pessoas, músicas, risos,

Murmúrios de felicidade

Teu gosto doce – acaso – em meus lábios

Teu toque imprevisível

Mãos intensas

Me apertando, abraços…

Minhas narinas buscam teu cheiro…

O cheiro de seus beijos

Por Luênia Lua





Noites

25 09 2009

Numa noite (en)cantada de lua misteriosa

Vivo um duelo com o tempo…

Ciumento! vive fugindo, se esvai de minhas mãos como partículas mágicas de água fresca… me pregando a peça saudosa da despedida…

Vivo a busca perene por um sabor que ainda nem sei explicar… um novo som, um novo ritmo, um novo aroma…

as cores quentes do entardecer transpassam minha áurea dourada, me seduzem e flamejam em mim:  faíscas cintilantes

Inebriada pelo perfume doce dessa noite de primavera, eu me perco…

…e me encontro no vento fresco que tange lindas pétalas amarelas para o emaranhado de meus cachos

Perco o chronos e aprecio o kairós… os encontros

Os sons, a música, o viver, os outros…

Vivo a beleza do novo, a emoção do imprevisível…

… a inexplicável magia do destino.

nesse momento mágico o tempo se entrega, se dissipa em nossa dança

se rende ao prazer fugaz da vida…

Por Luênia Lua





Pessoa Luz – Thiago de Mello

24 09 2009

Ontem (23) tive a honra de ouvir a declamação do poema Os Estatutos do Homem, pelo próprio Thiago de Mello. Acompanhado pela Orquestra – regência de Emilio de Cesar

Ele que com sua luz, graça e intensidade nos remeteu a momentos vividos por ele e o musico Claudio Santoro, foi uma viagem intensa e emocionante.

O espetáculo Música e Política, em comemoração aos 90 anos de Claudio Santoro, foi apresentado por uma pessoa que admiro muito, o grande mestre, educador e artista: Luis Guilherme Baptista. E pra quem perdeu, posto aqui o poema e compartilho sentimento de graça de uma noite maravilhosa, encerrada com um doce abraço que tive o prazer de receber do Thiago de Mello.

Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente)

Artigo I
Fica decretado que agora vale a verdade.
agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V
Fica decretado que os homens
estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, abril de 1964





Keep Calm and Carry on

23 09 2009

Keep Calm and Carry on ” Fique calmo e vá em frente” foi uma campanha motivacional criada pelo governo britanico durante a Segunda Guerra Mundial, o propósito do slogan era confortar a população inglesa caso os nazistas chegassem por lá! Foram impressos cerca de dois milhões de posters, mas apenas uma quantidade limitada foi distribuida.

Na verdade esse é o primeiro de uma série de três, os primeiros foram feitos caso ocorressem o ataque de gás ou bombardeios: “Your Courage, Your Cheerfulness, Your Resolution Will Bring Us Victory” (Sua coragem, sua alegria, sua solução nos levarão a vitória) e “Freedom Is In Peril”(A liberdade está em perigo).

O fato é que, hoje quando entrei num blog de decoração eu me deparo com esse postes sendo usado como adereço em casas, bares e etc… esse slogan símpatico vem sendo customizado e invadindo lojas, postes e vitrines de Londres.

Ha 60 anos atrás não ficou tão popular, mas nessa era do upcycle está ganhando o gosto de algumas tribos.

keepcalm_everything

Espero que tenham gostado!

Keep Calm Everything!

Por Luênia Lua e Wiki





Primavera 2

22 09 2009

noite quente… manhã fresca

gotas molham a relva seca

a vida que outrora estava sem cor…

renasce

um novo aroma vem surgindo

cigarras cantam a renovação

borboletas bailam

e margaridas dançam…

mais uma vez primavera!

por Luênia Guedes





Sonho “possível”

14 09 2009

Sonhar mais um sonho impossível
Lutar quando é fácil ceder
Vencer o inimigo invencível
Negar quando a regra é vender
Sofrer a tortura implacável
Romper a incabível prisão
Voar num limite provável
Tocar o inacessível chão
É minha lei, é minha questão
Virar este mundo, cravar este chão
Não me importa saber
Se é terrível demais
Quantas guerras terei que vencer
Por um pouco de paz
E amanhã este chão que eu deixei
Por meu leito e perdão
Por saber que valeu
Delirar e morrer de paixão
E assim, seja lá como for
Vai ter fim a infinita aflição
E o mundo vai ver uma flor
Brotar do impossível chão

Maria Betânia

“Nossos festejos terminaram. Como vos preveni,
eram espíritos todos esses atores;
dissiparam-se no ar, sim, no ar impalpável.
E tal como o grosseiro substrato desta vista,
as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos,
as igrejas majestosas, o próprio globo imenso,
com tudo o que contém, hão de sumir-se,
como se deu com essa visão tênue,
sem deixarem vestígio. Somos feitos da matéria
dos sonhos; nossa vida pequenina
é cercada pelo sono.”

A Tempestade, Shakespeare






Não me Peçam Razões…

8 09 2009

Não me peçam razões, que não as tenho,
Ou darei quantas queiram: bem sabemos
Que razões são palavras, todas nascem
Da mansa hipocrisia que aprendemos.

Não me peçam razões por que se entenda
A força de maré que me enche o peito,
Este estar mal no mundo e nesta lei:
Não fiz a lei e o mundo não aceito.

Não me peçam razões, ou que as desculpe,
Deste modo de amar e destruir:
Quando a noite é de mais é que amanhece
A cor de primavera que há-de vir.

José Saramago





Volto armada de amor

1 09 2009

Volto armado de amor
para trabalhar cantando
na construção da manhã.
Anor dá tudo o que tem.
Reparto a minha esperança
e planto a clara certeza
da vida nova que vem.

Um dia, a cordilheira em fogo,
quase calaram para sempre
o meu coração de companheiro.
Mas atravessei o incêndio
e continuo a cantar.

Ganhei sofrendo a certeza
de que o mundo não é só meu.
Mais que viver, o que importa
(antes que a vida apodreça)
é trabalhar na mudança
de que é preciso mudar.

Cada um na sua vez,
cada qual no seu lugar.

Thiago de Mello