Não sei quantas almas tenho

9 06 2008

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem  alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :  “Fui  eu ?”
Deus sabe, porque o escreveu.

 

Fernando Pessoa

 

 





Essa tal felicidade

9 06 2008

 

É estranho dizer isso, mas, acho que a felicidade assusta… não vejo outra explicação, se não essa!

E isso me entristece… pra que tanto medo? Covardia! chega a ser ignorância ( pra não falar burrice)… Pensando nisso tudo, cheguei a uma conclusão, somos acostumados com o CAOS. Pior! somos viciados, e se por algum instante percebermos que a felicidade vai chegar, nós fugimos dela…

São milhares de murmúrios pela falta dessa tal felicidade, e a essa sensação é de estarmos indo em direções opostas…

Humanos… e essa mania de jogar, pra que complicar tudo? Pra que fingir que não quer..se na verdade quer, que não é…se é! e isso vicia, como qualquer outro jogo, depois que você começa não consegue mais parar, até perder tudo! O grande problema dos jogos é esse: sempre tem um perdedor…

Ah e essa mania de mentir, de mentir pra tudo, por habito, precaução, mentir pra si mesmo…

Luênia Guedes