Perfeito domingo de sol… ao longe podia ouvir o som dos pássaros, grilos, galinhas e cachorros… naquele momento me bateu uma imensa saudade da minha infância e veio em minha mente a “Canção do Exílio” de Gonçalves Dias, foi exatamente aquele sentimento:
“Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.”
E estar ali em meio ao meu passado, foi maravilhoso, passear de mãos dadas com meu pai até um riacho próximo, com cachorros e crianças correndo à frente, naquele caminho entre arbustos onde a poeira subia devida a tanta correria.
Ah como foi bom por um domingo sair do exílio da cidade, de carros e buzinas…
No som uma canção dançante, no canto da área carne sendo assada, crianças pelo quintal, os sons se misturavam… e eu ali, observava tudo com cautela, queria guardar aqueles momentos dentro de mim, tudo aquilo era tão precioso e ao mesmo tempo perecível, não podia simplesmente ser mais um domingo… e não foi! Não para mim.
Naquele momento pude perceber o valor de estar ali, com aquelas pessoas que são tão importantes em minha vida, pude perceber que as vezes sou displicente com elas, por tê-las não dou a atenção que merecem, aí o tempo vai passando… quando vejo: perdi fases, momentos…
As horas vão passando e o domingo também, vou embora com uma infinidade de sentimentos bons dentro de mim, já sentindo saudade… mais uma vez indo ao exílio, pra longe daquela simplicidade, de meu passado, da minha infância que foi tão viva… naquele domingo de sol…
Luênia Guedes