Minha Alma…

7 07 2009

Minha alma tem o peso da luz.

Tem o peso da música.

Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita.

Tem o peso de uma lembrança.

Tem o peso de uma saudade.

Tem o peso de um olhar.

Pesa como pesa uma ausência.

a lágrima que não se chorou.

Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.

Por Clarice Lispector





Ciclo

6 07 2009

Desfolhar-me.

E mais uma vez me recompor

Compondo pétalas em cor…

A primavera

Mais uma vez, flor em flor…

Colorindo nossa vida

A alegria dessa estação

Que (re)nasce em mim

Poesia

Por Luênia Guedes





Ó Lua

6 07 2009

Ó lua…

Que nasce ao entardecer de um céu laranja

Num coral de nuvens revela sua beleza

Traz para nós seu farol!

Sua beleza, sua calma…

Faz de noite um festejo

Ó lua de nossos momentos

Ar te Amo(r) amigos…

Por Luênia Guedes





(Re)Viver!

6 07 2009

Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus olhos, para verem mais.
Multiplica-se os teus braços para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
Para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro. Mas sempre alto.
Sempre longe.
E dentro de tudo.

Cecília Meireles





A lei é dura ( Ricardo Pipo MM)

22 06 2009

Este post é para comentar um fato que passou quase desapercebido pela maioria dos brasileiros.

Um projeto de lei de 1995 e que deve ser votado ainda este mês na câmara, e que proíbe a venda de bebidas alcólicas a pessoas embriagadas. Não, você não leu errado : Proíbe a venda de bebidas alcólicas a pessoas embriagadas… Acreditem, esta proposta é real! A meu ver, é praticamente proibir o peido pra quem tá cagado. O projeto é da Rita Camata, umas das mulheres mais bonitas e inteligentes do Brasil. Imagine o que faria a mais feia e burra. Mais absurda que a lei, se aprovada, será a fiscalização. Já imaginou? O sujeito  vai fazer o teste do bafômetro antes de beber. Ou então fazer um 4, sei lá. Responder a tabuada do 9 sem contar nos dedos… O sujeito chega no bar e lá vem o garçon com o bafômetro:

Olha aí! Parabéns! Não bebeu nadinha! Serve aqui uma vodka dupla na mesa 4!

Meia hora depois ele pede a terceira dose e o garçon diz: Não. Agora, infelizmente, não pode mais.


O slogan das cervejarias para estimular o Mercado será: “A AMBEV adverte: Mantenha-se sóbrio!”


Desde os tempos de Ruy Barbosa que não surgia algo tão genial vindo do nosso legislativo. Se a moda pega, o próximo passo vai ser proibir a venda de pentes a pessoas penteadas. Proibir a venda de toalhas a pessoas enxutas. Proibir a venda de vibradores a torcedores do Fluminense! Pior, proibir a venda de perfumes a pessoas cheirosas. Pra comprar perfume a mulher vai ter que ficar pelo menos quatro dias sem banho. Ou corre o risco de ser autuada em flagrante. A Luana Piovani nunca mais vai poder comprar perfume, coitada. Ou você imagina uma mulher daquela fedorenta? Impossível! Ela ia chegar no balcão, pedir o perfume e ouvir da vendedora:


A senhora vai me desculpar a franqueza, mas eu não estou autorizada a vender pra senhora porque a senhora tá cheirosa.
–  Minha filha, impossível. Eu tô malhando a quinze dias com essa mesma roupa.
–  A senhora vai me desculpar a franqueza mas no ônibus que eu pego pra ir pra casa a senhora é talquinho de nenê. A senhora tá cheirosa sim que eu tô sentindo, eu não sou doida, e se a senhora insistir eu ligo agora pra polícia!


A Luana Piovani ia ter que  contratar um pedreiro pra comprar perfume pra ela. Porque aí é tiro e queda.


Dejacir, é aquela loja alí da esquina, entra e compra um cacharel, mas fala que é pra você.
Pois tá, galega, pode deixar que eu vô butá tudo na kombi e levar pra tua casa.
Dejacir, não precisa de kombi. Esse dinheiro que eu tô te dando só dá pra comprar um.
ARRE ÉGUA! Esse dinheiro não cabe nem no meu bolso.
Se vira, coloca dentro da marmita.
Galega, se eu tivesse uma marmita desse tamanho eu abria um serve serve.
Leva essa sacola então, Dejacir.
É Cachecol, nê?
CACHAREL, DEJACIR! CACHAREL!
Pois tá, galega.


E lá vai o Dejacir pra perfumaria. Mas a balconista olha pra ele e logo desconfia:


Esse perfume que o senhor tá comprando é pro senhor, ou o senhor tá fazendo avião pra outra pessoa?
Não. É pra mim mesmo, gata. Por que?
É que o senhor vai me desculpar a franqueza mas esse perfume que o senhor escolheu é feminino.
Lógico!  Tú acha que eu gosto de cheiro de homem? Tú é besta? Tú acha que eu ia gastar esse dinheirão todo pra ficar sentindo cheiro de macho em mim?


Faz todo sentido isso, nê? Pensando bem o Dejacir tem razão. Se um perfume é realmente capaz de atrair uma mulher, teoricamente ele deveria ser desagradável para o homem que está usando.


Desgraça de cheiro de homem gostoso!

E a mulher usando perfume feminino diria:

Nossa, não tô suportando esse cheiro de mulher gatinha em mim!

Já pensou você ser Deputado, sair de seu estado, viajar até Brasília e perder um dia inteiro votando uma proposta  que proíbe bebidas pra bêbados? Deve ser por essas e por outras que nenhum Deputado vai trabalhar. Mas eu que sou um otimista incurável, repleto de esperanças, sonho com o dia em que este país, num surto de amadurecimento democrático, vá decretar a lei que se existisse hoje, seria  a solução para a grande maioria dos nossos problemas: Um decreto que proíba de se candidatar, todo aquele que já foi político um dia.

Seu candidato já ocupou algum cargo político? Dê chance a outro. Faça a fila andar.

Post do blog dos Melhores do Mundo

http://www.osmelhoresdomundo.com/index.php?pg=1





Contra o Tempo

2 06 2009

Corro contra o tempo pra te ver
Eu vivo louco por querer você
Morro de saudade, a culpa é sua
Bares, ruas, estradas
Desertos, luas
Que atravesso em noites nuas
Só me levam pra onde está você
O vento que sopra meu rosto cega
Só o seu calor me leva
Numa estrela pra lembrança sua
O que sou…
Onde vou…
Tudo em vão…
Tempo de silêncio e solidão
O mundo gira sempre
Em seu sentido
Tem a cor do seu vestido azul
Todo atalho finda em seu sorriso nu
Na madrugada, uma balada soul
Um som assim meio que rock’n'roll
Só me serve pra lembrar você
Qualquer canção que eu faça
Tem sua cara
Rima rica, jóia rara
Tempestade louca no Saara
O que sou…
Onde vou…
Tudo em vão…
Tempo de silêncio e solidão.

Vander Lee





Rise

18 05 2009





Vênus

7 05 2009

1863_alexandre_cabanel_-_the_birth_of_venus1Deitada sobre o mar revolto, descansa a Deusa

Doce é sua calma

Vênus de beleza encantada, os cupidos te escoltam

Flores brotam onde seus pés aportam

Delfins e Nereidas fazem teu cortejo

E os Amores matam a sede das pombas

Bela Deusa leve-nos para teu passeio com cisnes

Por Luênia Guedes





Mágramática

6 04 2009

 

Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser

Todo verbo é livre para ser direto ou indireto

Nenhum predicado será prejudicado

Nem tampouco a frase, nem a crase

 Nem a vírgula e ponto final

Afinal, a má gramática da vida

Nos põe entre pausas

Entre vírgulas

E estar entre vírgulas

Pode ser aposto

E eu aposto o oposto

Que vou cativar a todos

Sendo apenas um sujeito simples

Um sujeito e sua visão

Sua pressa e sua prece

Que enxerguemos o fato

De termos acessórios para a nossa oração

Adjuntos ou separados

Nominais ou não 

Façamos parte do contexto

Sejamos todas as capas de edição especial

Mas, porém, contudo, todavia

Sejamos também a contracapa

Porque ser a capa e ser contracapa

É a beleza da contradição

É negar a si mesmo

E negar-se a si mesmo

É muitas vezes encontrar-se com Deus

Com o teu Deus Senhoras e Senhores

Que nesse momento em que cada um se encontra agora

Um possa se encontrar ao outro

E o outro no um

Até por que

Tem horas que a gente se pergunta…

Porque é que não se junta tudo numa coisa só?

Teatro Mágico – Fernando Anitelli

Para baixar ou ouvir músicas do Teatro Mágico:

http://www.oteatromagico.mus.br/novo/





eu prefiro seu oceanos de mares revoltos e profundos

9 02 2009

botticelli_birth_venus3Perceba que o que nos configura
É sempre essa beleza
Que jorra do nosso jeito de olhar
Nosso jeito de dar amor
Nos dar amor

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto.

trecho da música VÊNUS – Paulinho Moska

youtube: http://www.youtube.com/watch?v=WEPliyAeIpA